Novos aplicativos mudam a forma de recrutar no varejo

Por Letícia Arcoverde – Valor Econômico

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Até hoje, a estratégia mais comum de contratação de vendedores no varejo brasileiro é o tradicional cartaz de “precisa-se” colado na vitrine da loja. Com o auxílio da tecnologia, no entanto, consultorias de recrutamento querem mudar isso.

Novos aplicativos aproveitam a popularização dos smartphones para agilizar o processo, reduzir o turnover comumente alto da função e facilitar a gestão dentro das lojas. Atualmente, o comércio emprega 17,4 milhões de pessoas no Brasil, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral.

A Reachr, startup criada pelos sócios da consultoria de recrutamento Search, lançou há cerca de dois meses um aplicativo de mesmo nome voltado para estagiários de qualquer área e profissionais de vendas do varejo ou B2B. A ferramenta busca conectar candidatos e lojas e fornecer, para ambos os lados, dados que possam contribuir para futuros processos de seleção. “Vendedores e estagiários são dois tipos de vagas que existem em muito volume no mercado, mas que são pouco assistidas pelos RHs”, explica Marcelo Braga, diretor executivo da Reachr.

Gratuito para candidatos e com custo por vaga para as empresas, a ferramenta funciona como site ou aplicativo para celular. Os sócios se esforçaram para criar um sistema relevante para os candidatos mesmo quando eles estiverem empregados, com a intenção de mantê-los no banco de dados da empresa com informações atualizadas. Assim, além de receber sugestões de vagas para seu perfil, os profissionais têm acesso a um “índice de empregabilidade” atualizado constantemente, que os compara a outros vendedores de perfil similar e aponta quais os fatores que precisam ser trabalhados para que o número seja melhorado.

“São levados em conta aspectos como formação acadêmica, experiência, aquecimento do setor e comportamento, medido em um teste”, diz Braga. Quando atualizam as lacunas no currículo ou indicam colegas para vagas, os profissionais ganham pontos que podem ser trocados por serviços da consultoria, como coaching e visitas a empresas. Por meio do algoritmo, que compara o perfil dos candidatos com o do eventual contratado para a função desejada, a ferramenta também inclui o feedback que explica porque a contratação não ocorreu, uma reclamação constante dos profissionais em processos seletivos.

Como a agilidade é um ponto importante no varejo, a meta de Braga é que as vagas sejam preenchidas em até cinco dias. Como a ferramenta está no começo, hoje o período médio levado pela empresa é de dez. Quando não há candidatos suficientes para a vaga anunciada por uma empresa cliente, os headhunters da Search são acionados para encontrar profissionais.

Outro serviço, da empresa de tecnologia especializada em recursos humanos SER, usa aplicativos de celular para ajudar no recrutamento e também na gestão das lojas. Segundo Rogério Cardoso Bulhões, diretor geral da SER, a ferramenta, chamada Casting, surgiu após o contato do executivo com lojistas e franqueados e a percepção de que todos tinham problemas e demandas similares.

Saiba como utilizar a tecnologia na área de vendas

Para Bulhões, o varejo tem uma contradição de depender extensivamente do trabalho dos vendedores que estão na linha de frente para garantir os resultados, mas ainda assim negligenciar esses mesmos funcionários, o que resulta em um nível de turnover muito acima de outros setores. “Como a loja perde pessoas, não dá tempo do funcionário atingir o estágio de proficiência no que ele faz”, diz.

Lançado em outubro do ano passado, o Casting funciona em aplicativos que são usados pelos donos de franquias, pelos gerentes dos pontos de venda e pelos próprios vendedores. Dados como o volume de vendas e o ticket médio, que antes vinham em planilhas que precisavam ser revisadas pelos gerentes ao fim do dia, agora podem ser monitorados em tempo real pelos usuários do aplicativo, apontando as metas a serem batidas de forma individual e coletiva.

“Colocar a informação devidamente tratada na palma da mão de cada um faz com que todos passem a gerenciar melhor seu desempenho, o que cria uma mudança de mentalidade na loja voltada para a produtividade”, diz Bulhões.

O aplicativo também inclui treinamentos em vídeo curtos, que podem ser assistidos pelos vendedores durante o expediente, e compara para os gerentes o nível de investimento em cada um dos funcionários com o desempenho deles. “Nenhuma ferramenta substitui a gestão, mas o aplicativo faz com que o gestor tenha mais informações de forma sintética para tomar decisões”, afirma.

Uma ferramenta de recrutamento, por enquanto disponível para a região de Campinas, sede da SER, também quer acelerar o tempo de reposição de vendedores, mantendo um banco de dados de candidatos já verificados para serem sugeridos assim que o gerente de loja fizer o pedido pelo próprio aplicativo.

Dono de 16 lojas da rede O Boticário, com 110 funcionários, Roberto Carlos Soares, começou a usar o Casting em janeiro deste ano. No início a ferramenta ficou disponível apenas para os gerentes das lojas, e posteriormente foi adotada também pelos vendedores.

Algumas adaptações foram feitas para incluir novos indicadores como a quantidade de boletos com um único item, número que Soares tem como meta ficar abaixo de 30% em todos os pontos de venda. “Houve queda de 50% nesse ‘boleto um’ e ganho de produtividade de 12% no período. Com a ferramenta, a correção de rumo é feita mais rapidamente do que se dependesse de uma planilha de Excel”, diz Soares.

O empresário também reduziu custos ao cortar os treinamentos presenciais ou mesmo em vídeo, que exigiam gastos de deslocamento e logística para reunir as funcionárias – grande maioria das atendentes é mulher – na mesma sala. Os aplicativos são instalados nos aparelhos pessoais das vendedoras, mas Soares diz que hoje é muito difícil que as profissionais não tenham smartphone. Junto com viagens, os aparelhos também são entregues em premiações por meta atingida.

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